“… eu não posso causar mal nenhum …”
Lembro de você cantando essa parte da música com tanto ardor que por um momento cheguei a acreditar que você estava despertando, mas agora sei que eu é que estava sonhando quando pensei que podíamos simplesmente ser guiados pelo cheiro que exalava dos nossos corpos.
Você me demonstrava uma fragilidade tal que acreditei mesmo estar diante de alguém sincero e gentil, e entristeci com você ao perceber a rede de pérfidas verdades que te envolvia, por te ver à mercê de alguém vil.
Mas logo o jogo se instalou. Eu que queria sexo virei o ombro amigo que suportava o peso dos seus encontros mal sucedidos. Meus ouvidos viraram despejo para suas omissões.
Mais uma vez concordo com Tais e sairei correndo desse romantismo alimentado por joguinhos superficiais de sedução, desses sentimentos fúteis maquiados de profundeza. Duração é ir preenchendo espaços aos poucos, curtindo cada mínimo momento sem se importar com o depois de amanhã.

